DESABAFO- Por Carlos Grillo
Gostaria de mandar um beijo para o cine Arco-íris em Jaraguá do sul. Que, nesse último final de semana, me tirou de minha casa para ir ao shopping assistir um filme que fazia algum tempo eu já queria ver, “Ted”. O filme do ursinho “sujo” que estreou no Brasil dia 21 de Setembro só chegou aqui em Jaraguá dia 3 de Novembro e seria assistido por mim na primeira sessão do sábado. Comprei o ingresso para o filme , minha pipoca e sentei “confortavelmente” em minha poltrona ortopédica a tempo de ver todos os Trailers...Surpresa! No lugar dos trailers o grande cine Arco-íris passou propagandas de uma revenda de carros e de um ou dois restaurantes do shopping, deixando espaço para apenas um trailer. Tudo bem respira fundo, esquece e vamos nos divertir com o ursinho politicamente incorreto. Eis que começa a narração com versão brasileira “Herbert Richards”. Olho no meu ingresso: Ted 14:10 Leg. Vou reclamar lá com o pessoal da portaria e acontece toda uma cena, pois o filme era dublado e eles tinham errado no cartaz e nos ingressos. PARABÉNS CAMPEÕES! Depois de uma verdadeira odisseia para a devolução do dinheiro(tinha perdido o meu ingresso na hora de levantar da cadeira) e uma tarde de sábado perdida. No fim desse Arco-íris deve ter um pote, mas tenho certeza que não é de ouro., é de lixo.
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9 de novembro de 2012
14 de julho de 2011
O Canto do Grillo: Ainda novos, vistos a olhos nus ou vestido de lunetas.
Não existe pra mim banda igual ao que foram os Novos Baianos. E essa história em breve estará nos cinemas das grandes capitais do Brasil. Uma pena que não vou poder ver isso em tela grande, pois o documentário de Henrique Dantas “Filhos de João – O Admirável Mundo Baiano” parece ser espetacular. “Não é uma família, talvez um time” disse Luiz Galvão, integrante do grupo no encarte do disco Acabou Chorare.
No sítio de Jacarepaguá, moravam em comunidade viviam em total sentimento coletivo em tempos ditadura militar no Brasil. Como isso era possível? Não sei, mas isso era Novos Baianos. Em cenas do documentário de 1973 “Novos Baianos Futebol Clube” (disponível na integra em 6 partes no youtube) é possível ver a sensacional convivência entre as mais de 20 pessoas que viviam no “Sítio da Vovó” como acabou chamado o sítio de Jacarepaguá.
Samba, baião, guitarras elétricas e futebol faziam a alegria da comunidade dos Novos Baianos em Jacarepaguá, fico abismado como João Gilberto conseguiu ser o mentor e principal inspirador da banda (daí o nome do documentário “Filhos de João”) tendo em vista que ele era totalmente o oposto da realidade guitarras elétricas e vida em comunidade hippie. São tempos que não voltam mais, hoje os novos baianos são apenas Moraes Moreira, Luiz Galvão, Paulinho Boca de Cantor e Pepeu Gomes não sendo mais parte de um todo e sim um quase nada solitário(minha opinião). Volta e meia rola um “remember” com a banda, mas sempre sem Moraes Moreira, acho que o último encontro foi na gravação do Filme “Barulhinho Bom” da Marisa Monte.
O som continua novo até hoje, não ficou datado de maneira nenhuma pra mim. Não existe um motivo para os “Velhos” Baianos retornarem com a ideia de banda, mas existem muitos motivos para se ouvir os discos dos Novos Baianos. Não dá pra saber o que aconteceu com os eles, mas o que fica claro é que aqueles jovens desapegados sentiram o cheiro do dinheiro e perderam o som. Acontece. Mesmo assim estou MUITO na pilha de ver “Filhos de João”. O trailer me deixou com água na boca, mas esse prato vai demorar pra ser servido e enquanto isso eu vou continuar salivando.
Carlos T. Grillo
27 de junho de 2011
O Canto do Grillo - Em que guerra vale a pena lutar?
Em que guerra vale a pena lutar?
A pouco mais de um ano atrás recebi uma ligação no meu celular perguntando: “Estarias interessado em fazer uma dublagem de um desenho animado?”. A resposta que dei é óbvia, é claro que estaria. E assim me dirigi até o endereço marcado sem nada saber sobre o projeto. Lá encontrei uma figura simples que me agradeceu como se eu fosse ator de cinema, dizendo coisas como: “Muito obrigado por estar participando aqui do nosso projeto”, esse cara era Hermes Nettoh. Mal sabia ele que quem queria agradecer era eu, sempre fui aficionado por desenhos animados e revistas em quadrinhos e essa tinha sido minha chance de participar de um.
O nome do desenho era “Ecotrash – O genoma das almas”. Desenho animado feito por um exército da animação chamado Hermes, utilizando a mais alta tecnologia de um Home PC (o primeiro computador que ele usou para a animação era um 486), nascido em Jaraguá do sul – SC e morador da cidade, Hermes fez todo o processo de animação sozinho, em casa. Hermes me contou que o filme contava a história de um mundo devastado pela humanidade, onde o lixo teria sido o recipiente das mentes humanas. Um mundo habitado por latinhas de refrigerantes, garrafas plásticas e telefones velhos. Me disse também que a ideia o meu personagem seria o primeiro objeto que ele havia encontrado no lixo: uma bomba de gasolina de Fusca. Ficamos conversando durante quase uma hora sobre o filme enquanto ele me mostrava algumas partes que já estavam prontas. Ele me contou que esse já estava a ONZE anos fazendo o filme sozinho e que agora precisava colocar as vozes nos personagens. Meu brother Marquito tinha dublado o personagem mais irado do filme que é o Heavy metal e eu tinha ficado com o “hacker-alcoólatra-bomba-de-gasolina”, adorei. Em uma hora já tinha gravado as vozes do meu personagem Igghy e já estava gravando vozes para outros personagens.Este post é uma reverência ao duro trabalho que esse cara teve. Assisti ao filme quase pronto algum tempo depois, com vozes, trilha sonora e renderização pronta. E foi demais. Não vejo a hora de o filme conseguir o patrocínio e apoio necessário para ser lançado. O Hermes merece isso não só pelo ótimo trabalho que fez sozinho, mas por acreditar na sua ideia e levar ela pra frente mesmo com todas as adversidades, a enchente que pegou a sua casa em 2009 e o olhar desconfiado das pessoas que não entendem o que é ter um sonho e lutar por ele.
Sucesso para “Ecotrash – O genoma das almas”. Em breve em um cinema perto de você.
Carlos T. Grillo
20 de junho de 2011
O Canto do Grillo - Love is all you need
Love is all you need.
O dia era 25 de Junho de 1967, a primeira transmissão mundial via satélite iria ao ar assim que o sinal fosse enviado para sala lotada ao lado. Nela estavam sentados George, Ringo, Paul e John sob o olhar atento da plateia e de alguns monstros da história da música como Eric Clapton, Keith Moon, Marianne Faithfull e Mick Jagger.
O evento chamado “Our world” foi transmitido para mais de 26 países e os representantes britânicos escolhidos foram os Beatles. Não podia ser diferente. Mas que mensagem passar para as possíveis 350 milhões de pessoas que poderiam assistir o evento? John e Paul foram escrever para mostrar a George Martin (produtor da banda) duas músicas para serem tocadas. Paul chegou com “Hello, goodbye” e John com “All you need is love” que acabou sendo a escolhida.
O evento chamado “Our world” foi transmitido para mais de 26 países e os representantes britânicos escolhidos foram os Beatles. Não podia ser diferente. Mas que mensagem passar para as possíveis 350 milhões de pessoas que poderiam assistir o evento? John e Paul foram escrever para mostrar a George Martin (produtor da banda) duas músicas para serem tocadas. Paul chegou com “Hello, goodbye” e John com “All you need is love” que acabou sendo a escolhida.
*Clique na imagem para ampliá-la.
E às 7 horas da noite (horário de Londres) no Abbey Road Studio o espetáculo de 4 minutos foi feito ao vivo. Uma belíssima e simples mensagem de amor foi enviada aos “quatro cantos do mundo”. Pra mim foi de uma coragem imensa e de uma sensibilidade sem tamanho que a primeira transmissão mundial de televisão dissesse “Tudo que você precisa é amor”.
Existe uma incerteza quanto ao fato de a música ter sido escrita especialmente para o evento, mas isso não tira nem um pouco o brilho do momento em que o novíssimo satélite da BBC, o “Early Bird” transmitiu para o mundo os acordes da “Marselhesa”, hino francês que representa a liberdade, fraternidade e igualdade e John começou a cantar.
O vídeo acima foi colorizado para o Box The Beatles Anthology. A transmissão foi em preto e branco originalmente.
Os 4 caras de Liverpool tem milhões de motivos para serem chamados de “A MAIOR BANDA DE TODOS OS TEMPOS” e esse é mais um deles. Gostaria de mandar essa mensagem para todas as pessoas que posso. Se 50 pessoas lerem esse post já fico feliz pois estarei passando a mensagem que eu acho que o mundo precisa, mas pensem numa coisa, os caras passaram essa mensagem para talvez 350 milhões de pessoas. Era 10% da população mundial, por isso eu chamo todo mundo que leu o post para compartilhar no facebook ou outra rede social esse vídeo no dia 24 de Junho, um dia antes da transmissão completar 44 anos.
“All you need is love.”
Jornal do dia 26 de junho de 1967:
“All you need is love.”
Jornal do dia 26 de junho de 1967:
*Clique na imagem para ampliá-la.
Carlos Grillo
13 de junho de 2011
O Canto do Grillo - Cê tá pensando que eu sou Loki?
Cê tá pensando que eu sou Loki?
Essa semana escutei muito o disco Loki? (Arnaldo Baptista – 1974), e ficou impossível não escrever sobre ele nessa noite de domingo. Primeiro disco da carreira solo do ex-eterno Mutante. “Loki?” é uma obra-prima existencial colocando pra fora todos os sentimentos contidos em Arnaldo após o fim do casamento com Rita Lee e a sua saída dos Mutantes.
“Hoje percebi que venho me apegando às coisas materiais que me dão prazer. (...) Será que eu vou morrer de dor? Será que eu vou virar bolor? (...) Onde é que está meu Rock n’ Roll?”
“Onde é que está meu Rock n’ Roll?” está frase ficou ecoando a semana inteira na minha cabeça. Nada me tira e idéia de que a escolha da primeira faixa do disco ser a muito louca “Será que eu vou virar bolor?” tinha a intenção de mostrar onde estava o rock n’ roll de Arnaldo Batista.
O músico que estava em frangalhos após a separação e com as idéias tão perdidas por causa do uso do LSD acabou sendo internado em hospícios 3 vezes e não agüentava mais as pessoas achando que ele era louco. Por momentos queria provar que os loucos eram os outros, mas como saber quem estava certo nessa história? Nesse caso prefiro não opinar.
Na faixa “Cê tá pensando que eu sou Loki?” Arnaldo faz uma bossa-nova tirando onda com o fato de todo mundo ficar o chamando de maluco. Com um piano afiadíssimo tocado por Arnaldo e uma batida contagiante essa música sai um pouco do tom melancólico do disco, apesar de citar o nome Cilibrina em certo momento da música fazendo menção a primeira banda de Rita Lee depois da saída dos Mutantes chamada “Cilibrinas do Éden”.
“Cilibrina pra cá, Cilibrina pra lá. Sou velho, mas gosto de viajar.”
A música “Desculpe” é simplesmente a abertura do coração partido de Arnaldo Baptista. É um pedido de desculpas em forma de música. Lindo, porém triste. Seria o prenúncio da tentativa de suicídio em 1982? Nessa faixa também existe uma menção a Rita na frase “Não sou perfeito, nem mesmo você é...Riiiii”.
Vale como curiosidade também o fato de esse disco ser uma das últimas reuniões em estúdio da Rita Lee com os Mutantes, pois a banda do disco é Arnaldo Baptista nos teclados, Liminha no baixo, Rita Lee no backing vocal e Dinho Leme na bateria, faltando apenas o irmão de Arnaldo, Sérgio dias para esse de fato ser um disco dos Mutantes. Outra curiosidade é que cada lado do LP tinha exatos 16 minutos e 50 segundos.
"Esse disco é para ser ouvido em alto volume". Nota de rodapé escrita na ficha técnica do disco.
Carlos Grillo
4 de junho de 2011
O Canto do Grillo - Alegria, alegria!
Alegria, alegria!
“Sei sou um negro de cor, meu irmão de minha cor. O que te peço é luta sim, Luta mais...que a luta está no fim. Cada negro que for, mais um negro virá, para lutar com sangue ou não, com uma canção também se luta irmão...ouve minha voz oiééé...luta por nós”.
Essa letra é uma das mais bonitas mensagens antirracismo já feitas no Brasil. E Wilson Simonal de Castro cantava magistralmente “Tributo a Martin Luther King” composta por ele e Ronaldo Bôscoli. Em tempos de Roberto Carlos e jovem guarda Simonal foi o rei negro do Brasil. Amado por todos lotava ginásios, auditórios, estádios e qualquer outro local que ele decidisse soltar o vozeirão. “Alegria, alegria” dizia Wilson Simonal nos shows e apresentações. O jovem que largou o exército para ser “crooner” da banda Drinks, ganhou rapidamente o Brasil, venceu o preconceito racial e de filho de empregada passou a ser o filho do Brasil. Todos amavam Simonal. Mas o que aconteceu então para ele cair no ostracismo por mais de 20 anos?
Simonal acabou sendo vítima não do preconcieito, mas do preconceito da classe musical. No episódio do sequestro de seu contador, Simonal mandou uns conhecidos conseguir alguém pra dar uma surra em seu contador que suspeitavam estar desviando dinheiro do músico. Acontece que um dos homens chamados para dar a “lição” no contador era agente do DOPS (Departamento de Ordem Politica e Social), órgão de repressão e tortura da ditadura militar na época. O contador acabou fazendo a “confissão” nas dependências do DOPS. Simonal acabou sendo indiciado por sequestro e extorsão e em seu julgamento foi apontado pelo agente do DOPS como informante do regime militar no meio musical. Veio aí a história de que Simonal era dedo duro da ditadura.
"Em sua argumentação final, o ilustre meritíssimo alega que não tem como julgar os agentes do DOPS, já que estávamos vivendo um estado de exceção e, por isso, ele não tinha competência para julgar atos que poderiam ser de segurança nacional, mas Wilson Simonal, que era civil, não tinha esse tipo de “cobertura”, portanto pena de 5 anos e 4 meses para ele(...) Se em 1971 fosse provado que ele era um colaborador, ele não seria julgado por isso, seria condecorado,"
Claudio Manoel, produtor e diretor do documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei"
Essa história nunca vai ser passada a limpo. Nunca apareceu nem sequer uma pessoa vítima do “dedo duro” Simonal. Mas isso foi um prato cheio para os jornais e movimentos contrários a ditadura, dos quais faziam parte os intelectuais e a classe artística. Assim começou o boicote do meio artístico ao cantor.
O resto da história pode ser visto no espetacular documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei".
Vale a pena ver e rever. A história desse monstro da música PRA DANÇAR BRASILEIRA.
Vamos ouvir Simonal e para pelo menos tentar redimir o que foi feito contra esse maestro das massas.
Carlos Grillo
23 de maio de 2011
O Canto do Grillo - Do Pico de Jaraguá eu vi o SEUCELSO!
Do pico de Jaraguá eu vi o Seu Celso
“Afrouxa o nó da gravata vou levando a viola, vai ter cantiga de roda, Reggae, canção de ninar”. Essa frase define, pra mim, a banda jaraguaense “SEUCELSO”, que pode fazer uma cantiga de roda, um reggae e um rock e tudo junto com uma batucada. O projeto que nasceu da simples vontade de seus integrantes de fazer um som sem compromisso, hoje junta pessoas em seus shows, cantando alto com a banda suas letras surpreendentes e irreverentes. É difícil não se contagiar com a batucada feita pela percussão de Flávio, Júlio e Fernando. Canções como “Reverendo” “Da minha Praia” e “Orégano”, mostram que é complicado fazer uma classificação sobre o estilo musical da banda sem acabar sendo superficial. O “SEUCELSO” não tem um estilo definido assim como seus integrantes, que de vez em quando afrouxam o nó da gravata e pegam os instrumentos pra fazer música.
A verdade é que é notável a evolução da música deles, do seu primeiro show, numa festa de amigos às apresentações feitas em um bar da cidade. O show que fui nesse final de semana foi muito bom, apesar de alguns problemas com a sonorização, os caras conseguiram levar tudo numa boa, curtir e fazer curtir. A galera cantou junto, mas não só os refrãos, cantou junto as músicas inteiras e deixou claro que a receptividade é grandíssima. Na hora que as músicas novas foram tocadas, ficou todo mundo prestando bem atenção para já da próxima vez cantar junto “Pico de Jaraguá” e “Kupalua”. Fico honrado de ter participado de diversas apresentações de Roldão, Paulico, Décio, Ricardo, Júlio, Flávio e Fernando e muito feliz por ver que essa galera que já passou dos 30 (alguns já passaram faz tempo, hahaha) faz música com fôlego de 15.
O covers tocados foram escolhidos perfeitamente para a banda, adoro “Lagoa da Conceição” da banda Engenho , não conhecia a música até ouvir tocada pelo “SEUCELSO”, mas às vezes me pego contando sozinho em casa. Essa música me passa uma saudade que não sei explicar, não gostaria de perder nenhum dos meus amigos “Chicão”.
Mas agora vem a cobrança, quando será que que a banda vai se coçar e gravar um CD de estúdio? (quero um convite pra fazer back vocal em uma música). Está na hora. Sei que eles ainda têm muitas músicas pra sair do papel e isto mostra o potencial criativo dos caras.
Quero saber da galera que lê o CABANA CULT se já viram algum show do “SEUCELSO” e dizer pra os que não viram que não podem perder a próxima vez que eles tocarem. Pra cantar em voz alta o refrão psicodélico de “Colores”, e chamando os pássaros de “Botsuana”. “Me gusta mucho los colores” e me agrada demais “SEUCELSO”...
Carlos Grillo
9 de maio de 2011
O Canto do Grillo - La Vie Boheme
Cara quanto tempo eu não vejo um musical que me ganhe. Sério o último bom musical que eu vi foi “Across the Universe”, que eu como fã incondicional de Beatles achei demais. Sei que é difícil gostar de musicais ficando as vezes quase impossível engolir o cara que pede um refrigerante numa lanchonete cantando e subindo no balcão para dançar depois que recebe a bebida, mas a mágica acontece quando se esquece de que aquilo é forçado e começamos a prestar atenção na música, a coreografia, na letra e toda a beleza daquilo tudo.
Faz uns dois anos fiquei apertado de grana e precisei vender toda minha coleção de DVD’s para levantar uma “bufunfa”. Vendi diversos filmes e séries, mas os que mais me arrependo de ter vendido foram os musicais havia juntado. Foram embora “Hair”, “Chicago”, “Across the Universe”, “All that Jazz”, “Amadeus” (que foge da linha musical coreografado, mas também é considerado um musical), “Moulin Rouge” e outros.
Mas fiz esse post para indicar um musical que curto muito: Rent. Na verdade falarei em especial de uma musica do filme/peça.
Rent conta a história de um grupo de jovens que vive em Nova Iorque nos anos 80 convivendo com uma série de assuntos como despejo por falta de dinheiro, homossexualidade, vício em heroína, a AIDS e como era certa a morte por essa doença na época. É um filme forte, muito forte, mas acima de tudo a mensagem do filme é de esperança e de aprender a aproveitar tudo de bom ao máximo e o que é ruim por apenas alguns minutos. A música de abertura do filme é uma das mais bonitas que já ouvi em um musical e sempre me arrepia muito, talvez por eu ser um cara que “mede a vida em amor” como diz o refrão da canção. “Seasons of love” é uma daqueles sons que me põe pra cima fazendo com que eu aprecie a vida, meus amigos, meus amores e sinta saudades de quem não vejo faz tempo.
“Em quinhentos e vinte e cinco mil e
seiscentos minutos
seiscentos minutos
Como você mede...
Um ano de vida?
Em dias? Em Pores-do-sol?
Em meia-noites? Em copos de cafe?
Em centimetros? Em milhas?
Em risos? Em lutas?
Em meia-noites? Em copos de cafe?
Em centimetros? Em milhas?
Em risos? Em lutas?
A hora... é agora!
Essa história não tem fim
De celebrar
lembrar do ano
Na vida de amigos
Lembra com amor
Lembra com amor
Lembra com amor
Meça com amor”
Essa história não tem fim
De celebrar
lembrar do ano
Na vida de amigos
Lembra com amor
Lembra com amor
Lembra com amor
Meça com amor”
(tentei achar o vídeo com legendas mas não achei, foi mal)
Assitam “Rent - os Boêmios” mesmo aqueles que não gostam de musicais. É o retrato de uma época, com todos os estereótipos possíveis, mas além de tudo é uma mensagem de curtir a vida e levar contigo só as coisas boas. “MEASURE YOUR LIFE IN LOVE...”. Vamos aprender a medir a vida em amor e não em coisas que adquirimos pelo caminho
Carlos Grillo
28 de abril de 2011
O Canto do Grillo - O Gigante Gentil
Erasmo Carlos é patrimônio histórico desse país. Apesar de Roberto levar quase todos os holofotes para ele, o Tremendão pra mim é o cara do inicio do rock no Brasil. Acabo de ler a biografia “Minha fama de Mau” (Erasmo Carlos, Editora Objetiva), comprada em estado impecável no sebo, por míseros R$ 15,00. Por favor, gostaria de saber quem tem coragem de vender um ótimo livro desses por menos de R$ 10,00 (porque o sebo tem que tirar o lucro deles). Leitura recomendadíssima, é leve, descontraído, engraçado e acima de tudo emocionante, um pedaço da história musical desse país.
Durante muito tempo achei o movimento jovem guarda um porre, um bando de Elvis e Beatles mal-acabados. Claro que isso foi antes de me dar conta do valor que a música nacional tem, nessa época de ouvir Beatles, Stones, The Doors , Led e outros rocks gringos, pra mim, Erasmo e Roberto eram coisa de velho. Ai como era cego esse menino! Roberto e Erasmo são simplesmente a maior dupla de compositores do Brasil com uma parceria que já rendeu mais de 500 canções, me desculpem os fãs incondicionais (assim como eu) de Tom e Vinicius, mas essa é uma marca incrível. O autor de “Festa de arromba” e o rei fizeram várias músicas que todo mundo (por mais que não goste) sabe cantar.
“Tocaram a campainha e fui atender. Tinha 17 anos e vivia com minha mãe – e os gatos, os periquitos e o cágado – no quarto alugado da rua Professor Gabizo. O tal casarão de beleza decadente, com seus azulejos coloniais e suas incontáveis pulgas. Na porta, estavam Trindade, Arlênio e um outro cara, que eles queriam me apresentar. O sujeito morava no bairro de Lins de Vasconcelos e se chamava Roberto Carlos. (...) Gostei dele. Era simpático, usava topete e costeletas e vestia calça Far-West com uma jaqueta vermelha tipo James Dean. Conversamos bastante sobre rock, bebemos água da moringa de barro que eu tinha no quarto e comemos biscoito Aymoré. (...) Na saída, entre abraços e piadas sobre as pulgas, agradecido pela hospitalidade, ele disse a frase que mudaria minha vida: ‘Bicho, aparece lá na televisão.’”
Trecho do Livro “Minha fama de mau” – Erasmo Carlos – Editora Objetiva.
Bicho, o livro é sensacional com o Tremendão solto e de coração aberto falando sobre parcerias, brotos, micos, drogas, bebedeiras, shows, estúdio e tudo mais. Da amizade de infância com Tim Maia, o ano agitado que morou no Brooklin com Jorge Ben ( daí vem o nome do disco “Silêncio no Brooklin” do Jorge Ben), o buraco na parede do vestiário das meninas na Tv Record, das vaias no Rock n Rio e do suicídio de sua eterna Narinha do Coqueiro verde.
Detalhe a presença do Trio mocotó na gravação acima.
É impossível ler o livro e não ficar com vontade de encontrar esse “Gigante gentil” (Apelido dado por Rita Lee). Muito bom vencer preconceitos e aprender com a quebra deles. Já era fã de Erasmo Carlos antes de ler o livro, lógico passada minha fase de rebeldia adolescente.
Mas mesmo hoje adulto, SOU UMA CRIANÇA NÃO ENTENDO NADA.
Carlos Grillo
19 de abril de 2011
O Canto do Grillo - TOQUE DELA
O disco novo do Marcelo Camelo já está nas lojas e o CD TRANSBORDA AMOR. Você que está, é ou já ficou apaixonado entende o que ele canta e toca nesse disco. O nome “Toque dela” já deixa bem claro a ideia que eu digo, depois de se apaixonar não importa que o cara faça sozinho, tudo tem o TOQUE DELA. Marcelo Camelo fala de amor sem em nenhum momento parecer meloso demais, é claro que romance em excesso é um pouco piegas, mas acredito que ele não se importe. É muito bom falar de amor.
A primeira faixa “A noite” começa com a frase “triste é viver só de solidão...”, essa solidão é mandada embora totalmente nesse álbum para ser ouvido a dois. Quarta-feira fizemos uma janta só eu e minha mulher aqui em casa, coisa que é um pouco difícil por que estamos sempre com a casa cheia e o “Toque Dela” foi a trilha sonora enquanto cozinhávamos juntos nossa janta. “Eu vi, eu vim, foi bom demais.”
“Ô ô” segunda música do disco tem como nome o desenho de dois olhos. Simples e sensacional. “ Tudo que eu fizer vai ser pra ver aos olhos dela”. Tem um assobio contagiante na melodia junto com um refrão simples e que da vontade de cantar junto.
A música “Acostumar”, quarta do CD, é uma das minhas preferidas. Tem uma linda letra que, pra mim, traz paz e felicidade, sentimentos inerentes ao amor puro e simples, tal como esse disco de Marcelo Camelo. “Parece brincadeira, mas eu sei que a gente faz um monte de besteira por saber que é bom demais...”
Poderia citar uma por uma das faixas do disco, mas não quero. Quero que todo mundo tenha a chance de conhecer esse artista que mudou o tom do seu novo trabalho, uma vez que seu álbum anterior, “Sou” tinha um tom um pouco melancólico e solitário (não que isso tire o brilho do disco que é um dos que eu mais escuto em casa). A música que fecha o CD tem o titulo “ Meu amor é teu” mostra perfeitamente esse outro tom que estou me referindo. Trocando a capa Marrom triste do seu primeiro álbum solo por uma capa colorida e bem Vermelha do “Toque dela”. Uma nova roupa mais vibrante para essas músicas apaixonadas.
Amo minha mulher e sou apaixonado por Marcelo Camelo. Pronto falei!
Ainda em tempo vale comentar que Marcelo Camelo estará fazendo show em Curitiba dia 15/05.
“Meu amor é teu, mas dou-te mais uma vez. Meu bem, saudade é pra quem tem...”
Carlos Grillo
12 de abril de 2011
O Canto do Grillo - Blues
Quando você não tem nenhum dinheiro, você tem o Blues.
Quantas pessoas já ouviram falar em Leonard Chess e Phil Chess? Certo, devem existir muitas, mas nem a metade das pessoas que conhecem Muddy Waters e nem um décimo comparado de pessoas que já ouviram falar de um tal Chuck Berry. Eu mesmo até mês passado NUNCA tinha ouvido falar em Leonard Chess, seu irmão Phil e nem na Chess Records, primeira gravadora a lançar "música de cor" (como era chamada na época) para os brancos. Leonard Chess começou sua gravadora com um dinheiro conseguido de um golpe do seguro, sua boate mediana "acidentalmente" pegou fogo rendendo grana suficiente para montar o melhor estúdio de gravação de áudio em Chicago, comprando todo o material e aparelhagem da Aristocrat records, empresa a qual eles eram parceiros na época da boate Macomba Lounge.
Esses caras tiveram coragem de gravar música negra e distribuí-las em rádios para brancos em uma época em que o racismo era muito forte nos Estados unidos. Boates segregadas. Casas de shows e restaurantes segregados e I Can't Be Satisfied de Muddy Waters tocando em todas as rádios da região para todo mundo, Phil Chess tratava muito bem os DJ's das rádios para que eles tocassem o single de Muddy, pagava em dinheiro e na hora. Rapidamente Muddy estourou junto com seu amigo Little Walter na gaita de boca, Willie Dixon no contrabaixo e Buddy Guy na outra guitarra. Não tinha como dar errado e assim foi. Sucesso, dinheiro, mulheres e Cadillacs. os irmãos Chess começaram a aumentar o time da chess records que além de contar com Muddy Waters, Buddy Guy, Little Walter e Willie Dixon, passou a ter Howlin' Wolf, Benny Goodman, Etta James, John Lee Hooker, Chuck Berry e outros.
Não mais música para negros cantarem na colheita de algodão no Mississipi, o blues era a transformação desse lamento do trabalho e o Rock n’ Roll de Chuck Berry animava as festas da juventude americana, fossem eles brancos ou negros. A música como sempre quebrava qualquer barreira.
Claro que as coisas não foram só alegria o álcool rolava solto e a heroína era a droga da vez, muitos dos artistas não guardavam nada era tudo festas, carros e a maldita agulha mostrando que eles não podiam se sentir satisfeitos(como dizia o single de Muddy). Etta James cantava o sofrimento do vício, do amor, de ser filha bastarda de uma prostituta com um poder incrível em músicas como At Last.
Existem dois filmes lançados em 2008 chamados “Cadillac Records” e ”Who do you love?” que vale muito a pena ver, fica como dica.
Esse texto pode parecer novamente que estamos apenas lembrando dos músicos citados, mas sempre que eles são mencionados em voz alta o eco que retorna é CHESS.
When you aint got no money, you got the Blues. ( Quando você não tem nenhum dinheiro, você tem o Blues.)
Carlos Grillo
1 de abril de 2011
O Canto do Grillo - GONZAGUINHA
Mês que vem faz 20 anos, mais precisamente dia 29 de abril, que se foi: uma das figuras que mais gosto da música brasileira: Luiz Gonzaga Jr, o Gonzaguinha. Músico de festivais, pessoa que amava, pessoa que sofria, pessoa que ria e muito mais. Gonzaguinha em suas músicas podia passar diversos tipos de sentimentos. Tem músicas dele que me fazem sorrir, músicas dele que me fazem sentir saudades, músicas dele que me fazem pensar e no fim esse é o Gonzaguinha que eu mais gosto.
Gostaria de saber como um compositor desse nível, que escreveu músicas como "O que é, o que é?","Vamos á luta" e "Sangrando", pode ser esquecido pela mídia, pelas pessoas. Lembro que no dia de aniversário de morte dele ano passado não vi nenhuma menção do fato na TV, apesar do especial Som Brasil a uns 3 anos. O que ocorre é que não escuto ninguém mais falar em Gonzaguinha. Se mesmo eu, que gosto tanto, apenas relembro dele vez que outra, imagina quem mal o conhece. Escutem esse moleque que só queria ter suas músicas assoviadas pelai. Gonzaguinha fez as músicas políticas pós-anistia de 1979 mais ousadas do Brasil, na minha opinião, teve coragem de perguntar onde estariam aqueles sumidos políticos em músicas como "Amanhã ou depois - Achados e perdidos" e "A legião dos esquecidos".
Somos mesmo uma geração acomodada. Sem nada para lutar contra, nos tornamos sentados. Pelo menos vamos ouvir quem vale, quem perdeu muito mas sentiu um gosto de vitória na boca, pois hoje quando se fala em ditadura, parece tão distante que nem sabemos mais o que foi, só temos idéia de coisas vindas da mídia, aquela mesma que grande parte do tempo apoiou o governo militar. Mesmo quem lutou muito, hoje já foi absorvido pela falta de memória. Olha eu falando aqui, o mais que não lembra de nada.
Vou levantar a bunda e lutar contra a louça na pia. Que coisa mais patética.
OUÇAM GONZAGUINHA.
Carlos T. Grillo












