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10 de agosto de 2012

POESIA - Onde guardei meu pai... - por Anna Back



Onde guardei meu pai...
Anna Back.


Ao nascer, ganhei um pai abençoado!
Um homem–menino levado.
Que nasceu para ser, para dar sorriso,
Moleque, por trás do semblante, escondido.

Mão estendida, que me guiou na vida!
Era leve andar na vida, ao seu lado.
O vento batia, seu sorriso espalhava...
Em tudo e com todos fazia graça,
No trabalho, em casa, comigo,
Nas conversas, encontros, Papai-sorriso!

De mãos dadas caminhamos...
Grandes amigos nos tornamos.
Me ensinou, me encaminhou,
De seu caráter, no bem, forjado,
A ser, também, homem honrado.

Meu pai... meus pais, família querida,
Que me deram muito, além da vida,
Me mostraram caminhos a seguir.
Exemplo passado, trajeto traçado,
Seguindo seus exemplos, saberei aonde ir.

Mas veio a doença, as dificuldades,
E conheci da vida, as crueldades.
Amigo doente, mas que foi persistente
Quis seguir sorrindo, acabrunhado...
Começaram as mudanças na vida da gente!

Quis o destino, a vida, nem sei...
De repente, forçadamente, eu o larguei.
Sorriso apagado, semblante mudado,
Ele seguiu para um local que será referência
Da condição física, palpável, sua ausência.

Porém, não guardei meu pai naquele lugar.
Guardei-o no peito, vivo ele está, no meu coração.
Nas boas lembranças, carinho, alegria eternizada...
Meu filho sorri e me diz, pra consolo, no fundo do olho:
Aqueles que amamos nunca morrem, estão aqui!


6 de junho de 2011

Poesia - MEU BEM (Anna Back)

MEU BEM
Anna Back

Há tanto tempo te amo, e nem cansei!
Há tanto tempo te conheci, nem percebi.
Que o tempo passou...
Que os filhos vieram...
Cresceram, estudaram, amaram...
E nós paramos!...
Paramos para lamber as crias,
Planejar a educação, a formação,
De cada um e de todos.
E eles foram, alçaram seus vôos.
De sonhos e buscas, encorajados por nós.
Foram e vieram, para a escola, para a vida.
E nós, mais uma vez, paramos.
Paramos para achá-los lindos,
Presentes dos céus, os maiores.
E os melhores troféus...
E vieram os netos, tesouros ímpares.
E o amor na família, redobrado foi!
Os meninos viraram homens,
E a menina, mulher já é.
E nós paramos!
Voltados um para o outro.
Percebemos o quanto nos deixamos levar,
Na correnteza da vida e do nosso amor.
Vivência e convivência, cumplicidade...
Nos sentimos ainda no.início,
No estremecer da primeira vez,
Com a experiência de milhares de vezes,
Na cama e na vida, a idade não é empecilho.
Pois temos o espírito empreendedor,
Queremos sonhar, para nós e para os filhos.
E viver...viver... Meu bem!

18 de maio de 2011

Poesia - VIDAS EM GERÚNDIO (Anna Back)

VIDAS EM GERÚNDIO
Anna Back

Chegando, aconchegando!
Crescendo, aprendendo.
Indo e vindo, partindo.
Voltando...amando!

Morando, dividindo.
Esperando, preparando.
Vivendo, surpreendendo,
Trocando, trabalhando,
Ensinando...aprendendo.

Ligando, combinando.
Chegando, sorrindo!
Partilhando, arquitetando,
Falando...ouvindo.
Jogando, sorrindo.
Vivendo, sonhando!

Ganhando, perdendo!
Comendo...comentando.
Bebendo, sorrindo...
Fumando, fumegando,
Sentindo, reclamando!

Indo e vindo.
Reencontrando, contando.
Passando...partindo!
Chorando...soluçando,
Lamentando, procurando...
Indo...morrendo
É findo!...É findo!...

5 de maio de 2011

POESIAS - Rostos e Véus (Anna Back)

ROSTOS E VÉUS
Anna Back

Cobriu-se teu rosto de alvo véu
Para que casaste, sonhaste teus sonhos!
Um lar edificaste, os filhos criaste,
Junto ao amado que por ti eleito foi.
 Cobriu-se teu rosto de flores, de risos.
Teus filhos grandes se fizeram.
Tua aura se encheu de alegria
Por cada um, por todos, juntinho de ti.
 Cobriu-se teu rosto de negro véu...
O encanto se quebrou.
O mundo a teus pés despencou.
Tuas lágrimas foram roubadas pelo céu.
 Que te levou o amado, um filho, mais um...
Rasgada tua vida, rasgado teu véu!
Alma dilacerada, face em lágrimas.
Caída por terra, arrasada, só, desamparada.
Faltou o chão, o amor, a mão amiga...
Corpo arqueado, pela dor transpassado.
Hoje, te saúdo velha guerreira!
Cobriu-se teu rosto com o véu da fé.
Olhando ao redor, viu rostos carentes de ti.
Esteio de vida, de muitas vidas!
Renovada, o pranto engoliste, segues o caminho, altiva.
Por tudo isso, eu te saúdo, minha mãe querida!

30 de março de 2011

POESIA - Anjo Descalço (Anna Back)


ANJO DESCALÇO
Anna Back

Tenho um anjo
Bem lindo bem fofo!
No final do corredor, ele morava.
Abria a porta...
Abria os braços...
Descalço corria, sorria.
Alma escancarada!
No espelhar do sorriso
Dizia que me amava.

Meu anjo cresce, corre.
Cabelos ao vento, que graça!
Já não o vejo no corredor, mudou-se...
Vejo-o em outros lugares!
Aqui e ali, no chão, no ar.
Está meu anjo a vagar.

Seus olhos, espelhos da alma,
Profundos, verdadeiros,
São bolas de gude
Que brincam, fagueiros.
Que falam, que gritam,
Que riem, que amam, que choram...
Que vivem faceiros.

Meu anjo me leva
Ao mundo das fadas,
Do encantamento...
Meu anjo sabido voa, viaja,
Lê e declama.
No mundo moderno
Busca e sabe, aprende,
Surpreende...

Que bom ter meu anjo!
Que acolhe, me mima.
Que brinca, reclama...
Que vai e que vem,
Descalço, corre e sorri.
Alma escancarada
No espelhar do sorriso
Meu anjo diz que me ama!

3 de março de 2011

POESIA - Poema a uma flor (Anna Back)

POEMA A UMA FLOR
Anna Back - Poetisa

 Tu, que desabrochas na aurora da existência...
Tu, que traduzes o que de mais belo a vida pode dar:
Tu, filha amada, que vives hoje,
Aos quinze anos, a tua primavera,
Ouve as palavras que te quero dar!

Tu que sonhas,
Que ousas querer
Tudo o que da vida esperas
E que mereces ter.

Ouse, sonhe, queira,
Aos quinze, tudo é permitido.
No doce embalo
Do sonho e da quimera!

Deus criou maravilhas:
Cantos, flores, perfumes,
Cores, e amores.
E fez surgir a primavera.

E plantou para mim, para nós, um jardim...
E deu-nos uma flor viva, de alma nobre,
Gentil e amiga!
Você, a mais encantadora dentre todas,
Você, filha querida!

25 de fevereiro de 2011

Poesia - Listras (Elyandria Silva)


Listras
Elyandria Silva - Escritora

Me derramo em litros de fogo

E te busco em ciclones de corpos
Deslizo num penhasco
Construído naqueles galhos
Que os tigres descansam

Mas tua língua é jóia
Contas do rosário não dão conta
De corais dormentes
Moradores do castelo

Igual a um tigre
Você me lambe
Depois
Repousa em listras


22 de fevereiro de 2011

Poesia - Medos (Anna Back)

Medos
Anna Back - Poetisa

Tenho medos, muitos medos!
Medo de ficar sozinha, sem os meus!
Medo de ter os filhos distantes
Medo de ficar longe do meu amado.

Tenho medos, muitos medos...
Medo do mundo, do vento, do raio!
Medo do vazio das despedidas
Medo das surpresas, do inesperado.

Tenho medos, muitos medos!
Medo de ficar desinteressante,
Medo de ficar feia, velha, esquecida.

Tenho medo de perder o medo
Pois terei, então, abraçado o maior medo.
Medo da morte, me despedido da vida!