9 de agosto de 2012

Rock x Preconceito - por Stephen Bellotto


Rock x Preconceito 
Por que ao invés de uma união de estilos rock, o que mais vemos é segregação? 

É com muito prazer que hoje começo a escrever minha primeira coluna para o cabana cult. Espaço que tem sido fonte de conhecimento e incentivo a cultura em nossa região. Como primeiro tema, pensei em trazer a tona um assunto que meche muito com os ânimos de todos aqueles que são apaixonados pelo bom e velho rock and roll, o famoso preconceito dentro do rock. 

Rock é um termo muito abrangente nos dias de hoje para ser usado sozinho. Com tantas bandas e estilos diferentes, por que não especificar o seu estilo? Porém, nem sempre é tão fácil, afinal, você sabe exatamente a qual estilo pertence aquela banda que tanto ouve? Ou aquelas outras que você não ouve tanto, mas curte do mesmo jeito? O bom e velho Rock And Roll é uma combinação dos gêneros musicais: gospel norte-americano, a folk music e o blues, além do country music e jazz, mas predominantemente afro-americano. Surgiu entre os anos de 1940 e 1950. Como tudo no mundo, o rock vem a cada geração evoluindo e sendo influenciado pelos influenciados. Se o rock é na verdade uma evolução, porque existe tanta rivalidade entre seus subgêneros? O que sabemos é que o Rock é bastante diversificado, com inúmeros subgêneros. Cada um desses subgêneros possuem seus fiéis seguidores, que por sua vez elaboram e divulgam suas ideologias. A coisa mais natural, portanto, é haver ideologias antagônicas nesse meio. Por exemplo: o Punk Rock surgiu como uma resposta ao Rock Progressivo, que era muito técnico e com músicas bastante longas. Os Punks acreditavam que um estilo musical como o Progressivo era excludente, pois apenas músicos muito qualificados poderiam tocá-los. E como os Punks pregavam que cada um deveria ter o direito de montar sua própria banda, criaram um estilos de tocar baseado na simplicidade e músicas curtas. O movimento do Metal Britânico (NWOBHM), por sua vez, surgiu como uma resposta ao Punk Rock, que simplificou demais o Rock, e se propunha a retomar a complexidade... No meio dessas disputas meramente musicais também existem, muitas vezes, ideologias de caráter político e/ou religioso (existe algo no mundo que segrega mais as pessoas do que divergências políticas e religiosas?). O Punk com suas ideologias esquerdistas e ideais de revolução; o Black Metal que condena qualquer forma organizada de religião... Na minha opinião, esses preconceitos surgem em virtude de radicalismos de adeptos de cada vertente. Por exemplo, os mais radicais até cunharam os termos "TRUE" para definir qual banda é realmente fiel ao estilo e "TRAIDORES DO MOVIMENTO" para aquelas que se desvincularam de sua proposta musical original. Os mesmos radicalismos que criam rivalidades entre bandas (Gunners VS Grunges), entre subgêneros (Heavy Metal VS New Metal), entre fãs (rockeiros VS emos - não que o Emocore não faça parte do Rock)... São excessos de zêlo dos fãs por suas bandas e subgêneros favoritos que, se por um lado preserva a pureza de cada subgênero, por outro semeia disputas irracionais entre os mesmos. É mais um exemplo do quão prejudicial são os radicalismos. Com tudo, espero que não seja apenas o rock que passe por esse processo evolutivo, mas sim o ser humano, em uma sociedade tão atrasada, devemos juntos mudar esse pensamento errôneo de que o mundo gira em torno do nosso umbigo. Devemos ampliar nossa mente, aprender com nossos erros, e trabalhar constantemente pra mudar o mundo em nossa volta.








9 comentários:

Massa a matéria. também penso dessa maneira. Pior é que às vezes nós mesmos nos patrulhamos e deixamos de curtir um som pois tememos a opinião dos outros, não é verdade? Lembro que aqui só um cara tinha a coragem de dizer que curtia o Queen e anos depois descobrimos que uma galera curtia os caras. Só que o Queen, por razões que desconheço, eram estigmatizados.

Fala pessoal! Muito interessante o tema abordado! Gostaria de dar a minha opinião. Stephen espero que não fique bravo comigo, mas tenho uma opinião contrária a sua. Eu sou preconceituoso, principalmente quando há uma mistura desagradável de gêneros manipulada por uma mídia consumista que explora o Rock n' Roll. Em uma breve analogia, o Rock n' Roll é como um bom Jack Daniel's, você deve tomar ele puro, se colocar gelo vai foder com a bebida. Cada pessoa tem que saber escolher a sua própria bebida...

Abraços!!

Murilo Soares

Parabéns!! pela iniciativa Stephen, todos devemos analisar a música como um ciclo infinito de variadas combinações, formas e gêneros. A música nada mais é que a expressão do nosso corpo, dos nossos sentimentos, delírios, visões, alegrias, tristezas e etc... E o rock é isso!! são todas essas atitudes unidas e devemos respeitar esse sentimentos, assim como não somos obrigados a gostar de gente chata e respeitamos por motivos de educação na música ocorre o mesmo.

Eduardo Candido.

Ótima matéria... concordo plenamente que existe um preconceito muito grande, mas não é soh da "parte roqueira", mas sim de todos os seres humanos.
O ser humano nos dias de hoje, esta pensando somente no seu umbigo mesmo, e não "vê/enxerga/entende" o outro lado da moeda. No meu ponto de vista isso é gerado pelo próprio "sistema atual" que faz com que as pessoas sejam SEPARADAS.
Mas nós estamos aqui para NÃO CONCORDAR com isso, exemplo dos nossos amigos do Cabana, que pregam o cooperativismo e a união das "tribos". Continuemos a nós unir.
Abraços.
Lucas

Eu jamais ficaria bravo com você Murilo, pelo contrário, acho fundamental para o crescimento das pessoas essa troca de opiniões. Entendo e respeito seu ponto de vista, mas acredito que o tema abordado pela matéria não seja propriamente nosso gosto musical, mas sim o preconceito irracional entre as pessoas. Achei bacana sua analogia de Jack, mas o que seria o rock puro? Tem como definir o que é rock and roll? Podemos ficar discutindo o tema infinitamente, alguns vão dizer que Elvis era rock and roll, outros não.. o fato é que o rock é um subgênero, influenciado por ritmos que não eram rock, é impossível dizer que gosta de rock sem misturas. No fim das contas, o fato é que não existe musica boa ou ruim, o que existe são gosto diferentes. Eu, no auge da minha arrogância, prefiro a beleza da melodia embasada numa harmonia franca em ritmo inteligente, porém não me sinto melhor que alguém que goste de outro estilo musical. Quanto a mídia consumista, bom.. o que falar dela? Seria hipocrisia afirmarmos que somos anti capitalismo, anti-marketing, anti consumo. Se uma banda quer levar ao pé da letra uma ideologia sustentável, deve primeiramente construir instrumentos de bambu e cipó, e quem sabe fazer show em tribos isoladas. O fato é que todos nós somos cumplices desse sistema comercial, você mesmo está contribuindo com o capitalismo ao usar um computador pra escrever seu comentário no blog.

Concordo plenamente com a sua colocação Stephen. Do capitalismo não há como fugir, isso é fato, somos todos e ponto final. Como diz o outro, gosto é que nem nariz neh...hehehe... é foda... as vezes queremos que os outros gostem das mesmas coisas que gostamos. Quanto ao Rock "Puro", vou fazer mais uma analogia, o blues, rithym blues, country e uma pitada de jazz são elementos essenciais na criação do nosso belo rock n roll tanto quanto água, malte, lúpulo e levedura são para uma boa cerveja. Se elevarmos alguns igredientes do Rock, criamos estilos como Punk, Metal, Hard Rock na mesma linha em que, se elevarmos igredientes da cerveja teremos uma Weiss, uma Pale Ale, uma IPA... agora a partir do momento que entra um igrediente diferente em alguma dessas misturas... na minha opinião... o paladar já fica bem mais amargo...hehehe... Mas é isso aí, parabéns pelo post, isso é um assunto pra um grande debate regado a cerveja e boa música no cantinho do vinil!!

Abraço!!

Oi Stephen!! Adorei o seu texto... Entrou com tudo ein!!
Inclusive me trouxe novidades, eu, por exemplo, não sabia que o punk era um movimento voltado à responder ao progressivo. Como não é meu estilo favorito nunca prestei muita atenção nele, agora entendi o porque das músicas serem tão longassss (um minuto kk)...
Parabéns! Adorei!

Gente, só esclarecendo, o "kkk" foi uma brincadeira, pq sempre pego no pé do Billy por as músicas deles serem tão rápidas.
Respeito todos os estilos, apesar de não concordar com todos eles.

Bom pessoal, é com muita alegria que entrei pra essa familia muito loca hehehe.. Fico feliz que meu primeiro post acendeu discussões sadias e agregrou conhecimento a todos.. espero que juntos possamos evoluir, aprender e trazer de forma clara e sincera, mais e mais informações, curiosidades e conteudo de qualidade aos nossos leitores. Iniciativas como essa que nosso bruxo metre Paulico da Silva

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