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4 de setembro de 2012

Bandas novas precisam inovar - por Stephen Belotto



O sucesso de uma banda depende exclusivamente da atitude e talento artístico, a máxima “nada se cria, tudo se copia” não funciona no mundo real, o sucesso de uma banda depende exclusivamente da atitude e talento artístico de seus integrantes. Além disso, a música deve conter dois ingredientes essenciais: inspiração e inovação. Eu acho que a banda tem que encontrar o seu próprio caminho e trazer alguma novidade para a música. Qual é o ponto essencial para o sucesso de uma banda? Acredito que o fundamental é o artista, a banda, o cara de talento. Eu não gosto e não acredito que tenham muito futuro bandas novas que copiam artistas que já estão fazendo sucesso. Eu acho isso muito ruim, não gosto e não acredito que funciona. Eu acho que a banda tem que encontrar o seu próprio caminho e trazer alguma novidade para a música.  A banda não precisa definir um estilo musical. A bandas precisam inovar, surpreender, tente ir diretamente na novidade, criar uma história nova. 


Também acredito que o conteúdo artístico do rock não está apenas na técnica. Você ser um bom músico não significa que você é um bom roqueiro. Eu acho que está na atitude, nas letras, na mensagem e no estilo que você consegue impor na sua canção. A mistura de tudo isso resulta na novidade que você faz, na forma de você trazer uma certa rebeldia - que eu acho que o rock sempre tem isso - e junto com uma energia forte que pode ajudar você a conquistar mais seguidores. No ponto de vista da burocracia eu acho que a coisa simplificou muito e hoje todo mundo pode gravar um disco. A coisa ficou mais fácil e barata. O maior problema é que para se investir em artistas novos a gente tem um problema de mercado. O governo não resolve o problema da pirataria, que é uma vergonha e uma coisa que poderia ser resolvida facilmente se a gente tivesse governantes sérios, preocupados com a cultura. Eu acho que temos um problema sério e para o futuro, acabará resultando no surgimento de menos artistas. Além do governo não dar dinheiro e incentivo, todos os festivais que você tem são de iniciativas privadas, de pessoas que amam o rock e que fazem isso porque lutam e que têm um ideal. O governo não ajuda em nada, só atrapalha. Existe o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais) que é uma porcaria e que só serve para atrapalhar os músicos e qualquer tipo de show. Não funciona, não devolve o arrecadado para o compositor e é uma estrutura completamente antiga, desenvolvida para atrapalhar o desenvolvimento de novos artistas.  A dica que eu daria para bandas iniciantes que estão começando a compor músicas é que suas músicas sejam inspiradas, não sejam copiadas. Não se preocupe muito com a qualidade e a técnica, porque se a canção for boa ela vai fazer sucesso e quando for o momento oportuno a banda vai ter condições de gravar isso de uma maneira adequada. O artista novo tem que espalhar a sua música, usar a internet, ele tem que correr atrás de oportunidade para fazer muitos shows. Mas ele não deve sonhar que a internet vai resolver o problema dele. Hoje banda de rock, assim como muitos anos atrás, cresce na estrada fazendo shows. Não é na internet, isso é uma bobagem. Internet ajuda, ajuda muito, mas não sonhe que ela vai te transformar num sucesso por que não vai. 


Para você construir uma carreira sólida você tem que ter base. Então faça muitos shows, em qualquer buraco. Vai tocar naquele barzinho do amigo que te dá uma oportunidade, tente abrir shows de outras bandas, vá a lugares alternativos, mostre a cara e faça shows por que você vai ganhar experiência e público.




9 de agosto de 2012

Rock x Preconceito - por Stephen Bellotto


Rock x Preconceito 
Por que ao invés de uma união de estilos rock, o que mais vemos é segregação? 

É com muito prazer que hoje começo a escrever minha primeira coluna para o cabana cult. Espaço que tem sido fonte de conhecimento e incentivo a cultura em nossa região. Como primeiro tema, pensei em trazer a tona um assunto que meche muito com os ânimos de todos aqueles que são apaixonados pelo bom e velho rock and roll, o famoso preconceito dentro do rock. 

Rock é um termo muito abrangente nos dias de hoje para ser usado sozinho. Com tantas bandas e estilos diferentes, por que não especificar o seu estilo? Porém, nem sempre é tão fácil, afinal, você sabe exatamente a qual estilo pertence aquela banda que tanto ouve? Ou aquelas outras que você não ouve tanto, mas curte do mesmo jeito? O bom e velho Rock And Roll é uma combinação dos gêneros musicais: gospel norte-americano, a folk music e o blues, além do country music e jazz, mas predominantemente afro-americano. Surgiu entre os anos de 1940 e 1950. Como tudo no mundo, o rock vem a cada geração evoluindo e sendo influenciado pelos influenciados. Se o rock é na verdade uma evolução, porque existe tanta rivalidade entre seus subgêneros? O que sabemos é que o Rock é bastante diversificado, com inúmeros subgêneros. Cada um desses subgêneros possuem seus fiéis seguidores, que por sua vez elaboram e divulgam suas ideologias. A coisa mais natural, portanto, é haver ideologias antagônicas nesse meio. Por exemplo: o Punk Rock surgiu como uma resposta ao Rock Progressivo, que era muito técnico e com músicas bastante longas. Os Punks acreditavam que um estilo musical como o Progressivo era excludente, pois apenas músicos muito qualificados poderiam tocá-los. E como os Punks pregavam que cada um deveria ter o direito de montar sua própria banda, criaram um estilos de tocar baseado na simplicidade e músicas curtas. O movimento do Metal Britânico (NWOBHM), por sua vez, surgiu como uma resposta ao Punk Rock, que simplificou demais o Rock, e se propunha a retomar a complexidade... No meio dessas disputas meramente musicais também existem, muitas vezes, ideologias de caráter político e/ou religioso (existe algo no mundo que segrega mais as pessoas do que divergências políticas e religiosas?). O Punk com suas ideologias esquerdistas e ideais de revolução; o Black Metal que condena qualquer forma organizada de religião... Na minha opinião, esses preconceitos surgem em virtude de radicalismos de adeptos de cada vertente. Por exemplo, os mais radicais até cunharam os termos "TRUE" para definir qual banda é realmente fiel ao estilo e "TRAIDORES DO MOVIMENTO" para aquelas que se desvincularam de sua proposta musical original. Os mesmos radicalismos que criam rivalidades entre bandas (Gunners VS Grunges), entre subgêneros (Heavy Metal VS New Metal), entre fãs (rockeiros VS emos - não que o Emocore não faça parte do Rock)... São excessos de zêlo dos fãs por suas bandas e subgêneros favoritos que, se por um lado preserva a pureza de cada subgênero, por outro semeia disputas irracionais entre os mesmos. É mais um exemplo do quão prejudicial são os radicalismos. Com tudo, espero que não seja apenas o rock que passe por esse processo evolutivo, mas sim o ser humano, em uma sociedade tão atrasada, devemos juntos mudar esse pensamento errôneo de que o mundo gira em torno do nosso umbigo. Devemos ampliar nossa mente, aprender com nossos erros, e trabalhar constantemente pra mudar o mundo em nossa volta.








1 de agosto de 2012

NOVO COLUNISTA CABANA CULT - STEPHEN BELLOTTO





Publicitário, músico e as vezes colunista, nasci em Santos e fui adotado por Jaraguá do Sul. A música sempre fez parte da minha vida. Lembro do meu primeiro piano que ganhei com cinco anos. Meus avós, meu pai, meu irmão, minha família têm cultivado a música ao longo de gerações. Também sou compositor, vocalista de uma banda não tão conhecida como a do meu primo, porém que me faz muito feliz.

"É quase impossível esquecer o menor abandonado, nossas dívidas, o racismo, as guerras... Mas graças à Deus, existe sempre a música."

Renato Russo